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Casa Azulejo

​Ano: 2014

Local: Peruíbe - SP

Autor: Homã Alvico

Imagens: Homã Alvico

Maquete: Marcela Céspedes

      Concurso Nacional "Casa 10x10" - Projeto Finalista

      Prêmio Saint Gobain de Arquitetura. Edição 350 - Projeto Finalista

A unidade como desenho de cidade

Ruas sem crianças, vizinhos que não se conhecem, o – invariável – isolamento das habitações. A unidade residencial nunca esteve tão próxima da unidade prisional. Há um processo descrito pelo sociólogo Zygmunt Bauman de abertura global através das redes sociais digitais, e isolamento local através dos muros altos, dos condomínios, dos prédios-fortaleza como garantia de uma falsa segurança.

Mesmo não garantindo a segurança em termos práticos, o grande problema desta configuração é a perda da – subvalorizada - gentileza, é a perda do relacionamento social, é a distância do outro.  Que sociedade desejamos construir? 

Jane Jacobs, baseada em dados, e na percepção dos indivíduos defendia que a presença de pessoas nas ruas e dentro de suas habitações com vistas para a rua criam um ambiente mais seguro, e mais vibrante de vida,  pois os moradores e transeuntes agem inconscientemente como vigilantes do local. São os olhos da rua.

A unidade

 

O projeto foi concebido de forma a possibilitar diversas configurações de habitantes e ocupações. Possui 65m² de área construída. Com ambientes sociais e privativos portando dimensões confortáveis ao uso. Há também uma área externa generosa, de 87m², que pode ser usado como garagem para mais de uma vaga, para veículo maiores, mas sobretudo, para acentuar as características mais interessantes em se morar numa residência térrea individual, que é possibilidade de estender as atividades para o quintal, de realizar por exemplo, o tradicional “churrasco” que é parte da cultura do brasileiro, é um evento social para aproximação das pessoas, e no entanto, é cada vez mais difícil de acontecer de forma espontânea. A estratégia utilizada foi tratar a habitação térrea unifamiliar como tal, e não como uma unidade de apartamento, valorizando suas características mais marcantes, as compreendendo como a grande potencialidade do projeto.

Personalização

 

Outro problema das unidades habitacionais horizontais é a monotonia das formas, todas as casas são iguais, como se todas as pessoas tivessem os mesmos gostos, as mesmas personalidades, são tratadas como se fossem apenas números a serem atendidos. Os moradores tem a necessidade, mais do que um sentimento de pertencimento, de tornarem sua habitação um reflexo de suas vontades e crenças, e desta forma a edificação e o bairro é valorizado.

Com este objetivo é proposto um painel frontal de azulejos personalizáveis, como o último item de entrega do imóvel, os moradores escolhem o que querem gravar na fachada de sua casa, desta forma tornando-a única, e mesmo assim atendendo aos critérios técnico-econômicos de produção em massa. 

Além do painel, a fachada com um plano generoso de vidro, permite uma diferenciação das outras unidades por meio de brises, persianas, e cortinas com suas texturas, dimensões e cores distintas umas das outras, mas ainda assim, conservando uma ordenação geral da forma.